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20.11.09 19.11.09 Na Disney do hinduísmo
* * *O profeta do Baps é Swaminarayan, que viveu entre 1781 e 1830, e em Akshardham não foram poupados esforços para enaltecê-lo. Os ideais do Baps, que têm incontáveis fiéis nos Estados Unidos e na Inglaterra, são hinduísmo, não-violência, vegetarianismo, vida familiar, felicidade, paz, zero de álcool ou drogas.É bem bonito como teoria; não sei como funciona na prática. O detalhe das drogas e do álcool, porém, faz sentido. Este templo anacrônico é uma viagem tão delirante que qualquer aditivo se torna desnecessário. Em meio às indescritíveis estátuas de mármore, e entre colunas onde a pedra se transforma em renda, a vida de Swaminarayan é contada aos visitantes como se estivessem na Disney. Há robôs animados, um filme em Imax que teve a participação de mais figurantes do que todos os Cecil-B.-de-Milles juntos, um passeio de barco à la Piratas do Caribe. O show de águas dançantes ao final do dia não deixa nada a dever às atrações de Las Vegas. * * *Como levar a sério um parque temático de peregrinação?Os templos da antiguidade nos chegaram cobertos pela pátina do tempo, e se impõem pelo respeito que, instintivamente, sentimos diante da passagem dos séculos. Em Akshardham, no entanto, é muito difícil separar o sublime do ridículo. Talvez o melhor a fazer seja aceitar os dois lados da moeda, já que seu valor está no todo. Observação: as duas fotos que mandei são falsas, fotografadas das páginas de um livrinho. Não se pode entrar com nada no templo, e câmeras e celulares, junto com os demais pertences dos visitantes, devem ser deixados no guarda-volumes. Para mim, passar a tarde inteira sem celular foi, sem dúvida, um imenso exercício de espiritualidade, assim como ver tanta coisa bonita sem poder fotografar. Cá entre nós, confesso que continuo preferindo a materialidade da comunicação em tempo real. 18.11.09 Agora é que são elasPovo, hoje não tem texto porque estou às voltas com as fotos.Clicar é mole; separar são outros quinhentos! Madrugada vai alta em Nova Delhi (1h40m: aqui faço o modelito saúde) e, depois de passar a noite editando, estou mais pra lá do que pra cá. O pior é que ainda falta coisa que não acaba mais... * grande suspiro * Outra viagem![]() Meu compadre Gravatá foi a Galápagos e fotografou uns bichos sensacionais! Está tudo AQUI. 17.11.09 Ontem, na festa da embaixadaPara quem estava cobrando foto: prontinho! Aí estou, na festa da embaixada, ao lado do nosso Adido de Defesa, coronel Marcelo Barbedo. (Ali atrás, elegante como sempre, está a Margarida, minha amiga querida e anfitriã em Nova Delhi.) Índia, lado AEste shopping, gigantesco, é igual, ou praticamente igual, a qualquer congênere seu em qualquer lugar do mundo. Tem lojas Mango, Acessorize, Benetton, Reebok, Pylones, Adidas, Clinique e sei lá quantas outras marcas super manjadas. A diferença mais notável fica por conta das lojas de saris elegantérrimos e de roupas de cama e mesa, onde predominam os lindíssimos estampados locais; mas não é coisa que compense a ida até lá. Triste mesmo, para mim, foi descobrir que, no shopping, eu encontrava boa parte dos tesourinhos que comprei no Rajastão... por uma fração do preço! A gente saber que está sendo explorada é uma coisa, mas dar de cara com a evidência disso é duro, muito duro. Pois: continua sendo assim!Agarwal (também pode-se escrever Agrawal)é uma das incontáveis subcastas indianas. De modo geral são gente de negócios, bem situados financeira e socialmente. São estritamente vegetarianos e não bebem álcool. Mas o que eu achei curioso neste anúncio foi o público-alvo: os pais dos noivos. Os casamentos continuam a ser em sua maioria arranjados, mesmo numa cidade moderna como Nova Delhi. A diferença daqui para o interior é que, embora os pais procurem noivas e noivos para os filhos, eles e elas não são obrigados a se casar, se não gostarem da escolha. Aí os pais voltam aos classificados e começa tudo novamente. 16.11.09 Eu amo o meu paísDo mesmo jeito que me sinto triste e envergonhada quando encontro brasileiros dando show de má educação no exterior, coisa que infelizmente não é incomum, me sinto feliz e orgulhosa quando vejo o Brasil fazendo um bonito.Hoje, na festa da embaixada brasileira em Nova Delhi, fiquei emocionada com o cuidado, o capricho e a elegância presentes nos mínimos detalhes, das rosas amarelas sobre toalhas verdes aos pães de queijo quentinhos e deliciosos: tudo perfeito, sem ostentação ou luxos desnecessários, mas com aquele jeito caloroso que é tão nosso. Aqui na Índia comemora-se a Proclamação da República como data nacional. É que o 7 de setembro cai na época de calor infernal, quando a vida social pára e todos se recolhem feito lagartixas extenuadas, à espera das monções. Aliás, o santo do Brasil é tão forte que a festa acabou meia hora antes de despencar sobre a cidade um toró totalmente inesperado, que teria acabado com aquela alegria ao ar livre num piscar de olhos... Já estou deitada e ouço trovões tenebrosos lá fora; torço para que esteja chovendo assim também no Rajastão, onde a seca, como vocês viram, está séria. Os convidados foram um espetáculo à parte. Como é costume nas festas das embaixadas, usam-se, além dos habituais ternos e modelitos elegantes, uniformes e trajes nacionais. Pois havia tanto pano exótico que em alguns momentos me senti como se estivesse num baile do Copa ou numa cena de Casablanca: saris de Varanasi, túnicas de todos os tipos, militares cheios de medalhas, longas roupas africanas. O pessoal daqui já está tão acostumado que nem repara, mas, para mim, tudo é novo e fascinante. -- Festa na nossa embaixadaA ministra das Relações Exteriores, Preneet Kaur, maharani de Patiala e uma das mulheres mais elegantes da noite, e o embaixador Marco Antonio Brandão, durante a execução dos hinos; é sempre emocionante ouvir o Hino Nacional em terras estrangeiras. Aqui, por sinal, o páreo é duro, porque o hino indiano, Jana Gana Mana, composto por Rabindranath Tagore, também é muito bonito. 15.11.09 14.11.09 Enfim, fotos!Depois de muito tempo sem internet de verdade, encontrei um bom wi-fi em Agra. Aproveitei para subir algumas fotos "de verdade", vale dizer feitas com a Nikon, em vez do N95.Como vocês sabem, praticamente não fotografo gente, mas aqui na Índia é impossível resistir: não só as pessoas são muito interessantes como, em geral, gostam de ser fotografadas. O resultado é que a câmera acaba sendo um instrumento de aproximação. Ainda não selecionei todas as fotos, mas essas três estão entre as minhas favoritas. Há um punhado de outras AQUI. Em Varanasi, um senhor toma seu banho purificador no Ganges. Pela quantidade de velhinhos e velhinhas que vi a se banharem naquelas águas, começo a pensar se poluição não fará bem à saúde... A moça do trem, que vocês já viram em foto de celular. Patriarca de um grupo da etnia bishnoi, proto-ambientalistas que há séculos protegem animais e árvores, sobretudo no Rajastão. A aldeia que visitei fica a uns 100 quilômetros de Jodhpur; infelizmente cheguei já quase à noite, e não pude fotografar direito; mas consegui este retrato e fiquei feliz. |
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